O turismo sul-americano entra em 2026 com um mercado em transformação. Brasil, Chile, Colômbia, Peru e Argentina estão investindo em conexões aéreas, instalações hoteleiras e novas experiências, enquanto Governos e operadores estão tentando interceptar a demanda internacional. cada vez mais voltada para a natureza, aventura, gastronomia e turismo de luxo.
O crescimento, no entanto, não está ocorrendo na mesma velocidade em todos os lugares. O Brasil continua a bater recordes, o Chile conquista novos mercados. A Colômbia, por outro lado, beneficia-se de uma rede aérea de longa distância cada vez mais extensa, enquanto o Peru luta para equilibrar o crescente número de visitantes com a proteção de Machu Picchu. A Argentina, por sua vez, concentra-se principalmente em atrair investimentos internacionais para seus destinos na Patagônia.
O resultado é uma nova geografia turística do continenteAo lado de destinos já consagrados como Rio de Janeiro, Buenos Aires, Cartagena e Machu Picchu, lugares como Atacama, Torres del Paine, a Carretera Austral, El Calafate, Santa Marta e a região amazônica estão ganhando cada vez mais importância.
Brasil estabelece novo recorde para turismo internacional
O Brasil é o principal protagonista da recuperação do turismo sul-americano. Em 2025, o país registrou 9.287.196 chegadas de turistas estrangeiros., o maior número já registrado na série histórica nacional. Esse resultado representou um aumento de aproximadamente 37% em relação ao ano anterior e permitiu ao Brasil superar significativamente o recorde anterior.
2026 começou da mesma forma. Nos primeiros cinco meses do ano, os destinos brasileiros registraram 4.819.685 chegadas internacionais, com um crescimento particularmente significativo no número de visitantes europeus, um aumento de 17,21% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O Reino Unido também apresentou um crescimento significativo, com maio registrando o melhor resultado para esse mês desde 2017.
Esses dados não dizem respeito apenas ao turismo internacional. O tráfego aéreo doméstico continua a crescer e ajuda a distribuir os visitantes por um vasto território. São Paulo e Rio de Janeiro continuam sendo as principais portas de entradaMas destinos como Bahia, Pernambuco, Ceará, Alagoas e a Amazônia estão se beneficiando do aumento da conectividade.
O Brasil também busca aumentar o valor econômico do turismo por meio de um nova temporada de investimentos hoteleirosOs grandes grupos internacionais estão se concentrando principalmente no segmento de luxo e em resorts, enquanto cresce o interesse em destinos onde os produtos naturais podem ser combinados com acomodações de alto padrão.
No que diz respeito aos vistos, porém, o país mantém uma política mais seletiva em comparação com outros mercados regionaisCidadãos dos Estados Unidos, Canadá e Austrália precisam obter um visto eletrônico para entrar no país como turistas. O sistema de visto eletrônico está em funcionamento e agora é um dos fatores a serem considerados no planejamento de viagens a partir desses países.
O Brasil, portanto, se apresenta em 2026 como O mercado turístico sul-americano com o crescimento mais evidente. O desafio será transformar as novas chegadas em estadias mais longas e numa maior distribuição geográfica dos gastos turísticos.
Chile aposta em viajantes australianos
Se o Brasil está crescendo principalmente graças ao tamanho do seu mercado, o Chile está mostrando a importância das conexões aéreas e das políticas de vistos no setor. conquista de novas bacias turísticas.
O caso mais significativo é o da Austrália.Nos primeiros seis meses de 2026, as chegadas de turistas australianos ao Chile aumentaram 80,1% em comparação com o mesmo período de 2025. Esse aumento foi impulsionado pela eliminação da exigência de visto para estadias turísticas de até 90 dias e pelo aumento das conexões aéreas diretas, de sete para onze voos por semana em comparação com 2024.
Os dados são particularmente interessantes porque Os turistas australianos tendem a ficar mais tempo e gastar mais do que a média.A duração média da estadia é de cerca de quinze noites, e o gasto diário supera o do visitante médio. A natureza também é uma das principais motivações para a viagem.
É precisamente nesse elemento que o Chile está construindo sua estratégia. O país está promovendo cada vez mais o Deserto do Atacama, Torres del Paine, a Carretera Austral, os parques nacionais e as estâncias de esqui dos Andes.
A política de vistos tornou-se, portanto, uma ferramenta para promover o turismo. O site oficial de turismo do Chile confirma que cidadãos da União Europeia, dos Estados Unidos, do Canadá, da Austrália e de países da América do Sul: Eles não precisam de visto para entrar como turistas., de acordo com as condições estabelecidas para cada nacionalidade.
No entanto, existem questões críticas. As autoridades australianas continuam a recomendar um alto grau de cautela no Chile devido à risco de crimes violentos e distúrbios civisO paradoxo de 2026 é, portanto, evidente: o Chile está conquistando rapidamente mercados distantes, mas simultaneamente precisa lidar com uma situação de segurança que pode influenciar a percepção internacional do país.
Peru, o grande jogo no aeroporto de Chinchero
O Peru, por outro lado, enfrenta um problema muito diferente: como Aumentar a capacidade turística sem exercer mais pressão sobre Machu Picchu.O projeto do Aeroporto Internacional de Chinchero, na região de Cusco, representa um dos projetos de infraestrutura mais importantes de todo o continente. Espera-se que o aeroporto reduza significativamente o tempo de acesso à região e transforme a maneira como os visitantes internacionais chegam ao Vale Sagrado e a Machu Picchu.
O projeto, no entanto, também é motivo de preocupação para arqueólogos, ambientalistas e comunidades locais. As estimativas da capacidade futura da infraestrutura alimentaram o receio de um aumento acentuado no número de visitantes. uma área já sujeita a pressões ambientais e culturaisNo entanto, a inauguração não está prevista para 2026. Os cronogramas mais recentes indicam 2027 como o novo horizonte operacional, após novos atrasos na implementação do projeto.
Portanto, a questão está destinada a se tornar central nos próximos anos. Machu Picchu é um dos produtos turísticos mais fortes da América Latina, mas seu próprio sucesso corre o risco de representar o principal obstáculo ao crescimento. Peru está, portanto, tentando expandir a oferta por meio de Lima, Arequipa, Vale Sagrado e Amazônia. e turismo gastronômico. O objetivo é convencer os visitantes internacionais a passarem mais tempo no país, em vez de concentrarem toda a sua viagem no roteiro Lima-Cusco-Machu Picchu.
Sinais importantes também estão sendo observados no setor hoteleiro, especialmente no segmento de luxo e em estabelecimentos menores, voltados para experiências. Lima e a região de Cusco continuam sendo os principais polos de investimento, enquanto o Vale Sagrado segue atraindo operadores internacionais.
Colômbia, aeroportos e turismo tornam-se inseparáveis.
A Colômbia representa um dos exemplos mais evidentes de como a conectividade aérea pode determinar o crescimento do turismo. Bogotá, Medellín e Cartagena continuam sendo as principais portas de entrada.Mas o crescimento das conexões está expandindo progressivamente a geografia do turismo colombiano. A maior disponibilidade de voos domésticos e internacionais facilita a conexão de destinos caribenhos e naturais com os principais centros urbanos.
A estratégia nacional também busca direcionar parte da demanda para destinos menos conhecidos. Santa Marta é um dos exemplos mais interessantes. A cidade está investindo em infraestrutura marítima e turística com um programa de novos píeres projetados para melhorar as conexões com diversos destinos litorâneos. Isso é importante porque: O turismo colombiano não é mais considerado apenas como turismo urbano ou litorâneo.A nova oferta inclui parques naturais, montanhas, comunidades locais, turismo do café, trilhas para caminhadas e patrimônio cultural.
No entanto, a questão da segurança permanece.A Colômbia fez progressos significativos na construção de sua imagem turística internacional, mas algumas regiões continuam apresentando riscos significativamente maiores do que os principais destinos visitados por estrangeiros.
O mercado colombiano em 2026, portanto, parece ser caracterizado por um forte potencial, mas o crescimento futuro também dependerá da capacidade de garantir condições de segurança uniformes nas novas áreas turísticas.
Argentina: Patagônia se torna um destino de luxo
A Argentina vive uma fase singular. Por um lado, o turismo internacional continua sendo um componente importante da economia; por outro, o mercado é influenciado pela conjuntura cambial e pela forte propensão dos argentinos a viajar para o exterior. A grande novidade para 2026, no entanto, vem dos investimentos hoteleiros. A Patagônia está atraindo o interesse de grandes grupos internacionais. e está se transformando progressivamente de um destino predominantemente naturalista em um produto turístico de alto padrão.
El Calafate, Bariloche, Ushuaia e Mendoza El Calafate está no centro de uma nova temporada de investimentos. A presença de novos operadores internacionais visa atender a uma demanda por experiências relacionadas à natureza, vinhos, gastronomia e aventura. El Calafate é particularmente importante. O destino representa uma das principais portas de entrada para as geleiras e paisagens da Patagônia e está se tornando cada vez mais atraente para o segmento premium.
Buenos Aires continua, naturalmente, a representar o principal centro urbano, enquanto Mendoza mantém uma posição forte no turismo gastronômico e enoturístico. Iguazú, por fim, mantém seu papel como uma importante atração natural internacional.A Argentina, no entanto, enfrenta um desafio diferente do Brasil e da Colômbia: transformar o atual interesse turístico em crescimento estável de investimentos e demanda internacional.
Equador: Preocupações com a segurança pesam muito sobre as Ilhas Galápagos.
O Equador possui um dos produtos turísticos mais impressionantes do continente, mas a segurança é o principal obstáculo ao crescimento em 2026. As Ilhas Galápagos continuam a atrair alta demanda internacional e representam um caso especial porque O turismo está intimamente ligado à conservação ambiental.O aumento dos custos de acesso ao arquipélago reflete precisamente essa necessidade.
O produto turístico equatoriano também está se expandindo em direção a Quito, os Andes, a Amazônia e o turismo comunitário.O problema é que as notícias sobre crimes e segurança nacional podem moldar a percepção de todo o país, mesmo quando as principais áreas turísticas não são as mais problemáticas.
As autoridades americanas continuam a recomendar maior cautela ao viajar para o Equador devido a Crime, terrorismo, agitação social e risco de sequestro. O desafio para o país será, portanto, duplo: proteger os destinos turísticos e, ao mesmo tempo, comunicar eficazmente a diferença entre as zonas mais afetadas pela criminalidade e os principais circuitos turísticos.
Uruguai, a estratégia para o turismo de qualidade
O Uruguai segue um caminho diferente. Muito menor que o Brasil, a Argentina ou a Colômbia, o país não se concentra na quantidade, mas na diversidade. capacidade de atrair visitantes com maior propensão a gastarMontevidéu, Punta del Este e a costa atlântica continuam sendo os principais polos, mas o interesse pelo turismo rural, vinho, gastronomia e experiências de patrimônio local também está crescendo.
A proximidade com Buenos Aires também representa uma vantagem estratégica. A ligação entre a Argentina e o Uruguai Isso permite a criação de roteiros binacionais, nos quais ambos os lados do Rio da Prata se tornam parte da mesma jornada. O Uruguai pode, portanto, se beneficiar indiretamente do crescimento da Patagônia e do turismo argentino de alto padrão, capturando parte da demanda por estadias mais longas no Cone Sul.
O novo papel dos aeroportos
A grande transformação do turismo sul-americano em 2026 envolverá, portanto, os aeroportos. São Paulo e Rio de Janeiro continuam sendo os principais portões de entrada brasileiros, enquanto Bogotá se tornou um dos principais centros regionais. Santiago desempenha um papel fundamental no Cone Sul. E Lima continua sendo a principal porta de entrada para os destinos andinos do Peru.
Mas a verdadeira notícia está representada pelas infraestruturas que estão tentando aproximar os visitantes de seus destinos finais.Chinchero é o exemplo mais óbvio, mas a mesma lógica pode ser encontrada no desenvolvimento de conexões com a Patagônia, o Atacama, o Caribe colombiano e a região amazônica.
O turismo sul-americano não pode mais ser pensado apenas em termos de grandes aeroportos internacionais. A nova fase da competição diz respeito ao trecho final da jornada.Quanto tempo leva para chegar a um parque nacional, resort, estação de esqui ou sítio arqueológico depois de aterrissar?
Vistos e conexões: a nova fronteira da competição.
O caso chileno demonstra que a política de vistos pode se tornar uma verdadeira política de turismo. Abolição de vistos para australianos, aliado ao aumento das conexões diretas, coincidiu com um crescimento de 80,1% nas chegadas desse mercado no primeiro semestre de 2026.
Este é um fato que outros países estão observando atentamente. A concorrência não se resume mais apenas ao preço da passagem aérea ou à qualidade do hotel. Trata-se de... a facilidade geral com que um turista pode decidir, reservar e chegar ao destino. Nesse cenário, um visto caro ou complicado pode se tornar um obstáculo para os negócios, enquanto um processo digital simples pode se tornar uma ferramenta promocional.
A nova geografia do turismo sul-americano
A fotografia de 2026 mostra, portanto, um continente que está tentando superar o antigo modelo baseado em alguns poucos grandes ícones turísticos. Rio de Janeiro continua sendo Rio de JaneiroBuenos Aires mantém seu status internacional e Machu Picchu continua sendo uma das atrações mais impactantes do planeta. Mas uma rede muito mais ampla está surgindo em torno desses destinos.
A Patagônia argentina e chilena se transforma em um produto internacional de luxo e aventura. O deserto do Atacama está se tornando cada vez mais acessível a mercados distantes. A Colômbia busca expandir o turismo para além de Cartagena e Medellín. O Brasil promove a Amazônia, o Pantanal e o Nordeste. O Peru tenta distribuir o turismo para além de Machu Picchu. O Equador foca na natureza e no turismo responsável, enquanto o Uruguai constrói sua competitividade com base na qualidade.
O ponto central da nova fase é, portanto, a infraestrutura. Sem voos, os turistas não chegam; sem aeroportos eficientes, os destinos secundários não se desenvolvem; sem hotéis, as estadias não aumentam; sem segurança, a procura não se consolida; sem políticas de vistos, os mercados distantes não são facilmente conquistados.
A América do Sul, portanto, entra em uma nova fase em sua história turística em 2026. O desafio não é mais apenas convencer o mundo a visitá-la, mas construir as condições para que o visitante permaneça por mais tempo e gaste mais e descobrir novos territórios sem comprometer o património natural e cultural que torna o continente tão competitivo.
