Recém-saído da polêmica que eclodiu no comício Liga de Pontida, o ministro das Relações Exteriores Antonio Tajani relançou o tema Ius Scholae – mas não só – por ocasião da sua viagem à América do Sul, que começou na segunda-feira com uma rápida paragem em Buenos Aires, antes de aterrar ontem no Brasil, em São Paulo, onde não se encontrou com o presidente Lula, mas com o governador de São Paulo. Paulo Tarcísio de Freitas (centro-direita), o Ministro da Habitação Civil Rui Costa e as associações empresariais locais.
O principal motivo da viagem pela América do Sul foi discutir com os políticos de dois importantes países da região, de cores políticas opostas, como Argentina e Brasil, sobre a crise em curso na Venezuela, que a Itália acompanha de perto também porque lá vivem 160 pessoas. mil cidadãos com passaporte italiano. Lá Presença italiana é muito forte em todo o continente, notoriamente na Argentina, mas ainda mais no Brasil, que este ano celebra o 150º aniversário da imigração italiana: milhões de descendentes de italianos vivem hoje no país lusófono, dos quais 850 mil possuem dupla cidadania.
A oportunidade de voltar ao tema Ius Scholae, caro à centro-esquerda, mas sobre o qual o partido de Tajani, Forza Italia, deu sinais de abertura ao dividir a maioria, era demasiado tentador e o Chanceler aproveitou-se ao conceder uma entrevista à Folha de São Paulo: "Sem preconceito ius sanguinis que já faz parte do nosso ordenamento jurídico, é necessário que o conceito de cidadania se baseie também na pertença a uma comunidade, com todos os direitos e deveres que daí decorrem. Isto implica valores partilhados, entre os quais os linguísticos e culturais são fundamentais. A Ius Scholae já existe em vários países europeus, basta fazer pequenas alterações regulamentares e reduzir o tempo de solicitação.”
Quando questionado se a Itália está preparada para esta mudança, Tajani respondeu afirmando que a mudança já ocorreu: "Prefiro falar sobre Ius Italiae, em todo caso: você é italiano porque se formou italiano, porque conhece a história, a cultura, a língua, as tradições”. Por outro lado, justamente por ocasião da visita ao Brasil, país de onde chegam mais pedidos de passaporte italiano no mundo, o Chanceler deixou claro que o número de gerações que podem ostentar o direito à cidadania italiana deve ser limitado , uma vez que “muitos descendentes já não têm qualquer ligação com a Itália há muito tempo”.
Sobre a situação em Venezuela, Tajani esperava uma posição de apoio à oposição ao regime de Nicolas Maduro, expressando também preocupação com os cidadãos italianos. “Espero que o Brasil continue sua delicada tentativa de mediação, que já realizou junto com a Colômbia, graças à sua credibilidade na área e à solidez de seus valores democráticos. A Itália aprecia os esforços de Brasília e de Buenos Aires nesta crise." O comentário sobre a guerra na Itália é ainda mais diplomático Ucrânia, considerando que o Brasil de Lula insiste em posições distantes das do eixo euro-atlântico, a favor de uma iniciativa de paz em conjunto com a China: "Sendo membro dos Brics, o Brasil tem a capacidade de contribuir para um processo de paz entre a Ucrânia e a Rússia . Concordamos em princípio com algumas propostas, mas é fundamental que qualquer solução tenha em conta o direito internacional e o princípio da soberania territorial sancionado pela ONU”.
Tajani lembrou então que o Brasil participou da cúpula do G7, na Itália, em junho passado, e afirmou que os dois países “existem uma amizade histórica, fundada em sólidos laços culturais, econômicos e sociais”. Encontrámos uma convergência importante em questões como o combate às alterações climáticas, à fome e à pobreza, convergência que será aprofundada durante a reunião do G20 no Rio de Janeiro, marcada para 18 e 19 de Novembro.
